A encruzilhada de 2018

Salvo o golpe que, segundo bastidores de Brasília, pode vir a acontecer nos próximos meses, no caso, a cassação ou renúncia do mandato do presidente Temer – que ocasionará em eleição de novo presidente nacional de forma indireta, através da Câmara de Deputados Federal -, o Brasil, mais precisamente o brasileiro, terá uma árdua decisão a tomar em 2018: qual modelo político adotar nas terras tupiniquins.

Fato é que hoje tanto o modelo político de esquerda quanto o de direita vem perdendo força e adeptos na sociedade civil. Aliás, toda essa discussão entre esquerda e direita tem levado a população a buscar novas alternativas, ou opções. A mais corriqueira – e que não leva a lugar nenhum – é a anulação de votos. De fato, as eleições de 2016 surpreenderam pelo excesso de votos anulados. Teóricos de filosofia e ciência política apontam para o simbolismo deste ato. De forma praticamente unânime, a academia tem dito e escrito que as eleições de 2016 expressaram a indignação do brasileiro frente aos atuais modelos políticos e o dualismo imposto nos debates – sempre marcado pelas posições petismo/anti-petismo e esquerda/direita. Está claro que o povo está saturado desses debates demagógicos, sendo que, no final das contas, todos são culpados e estão envolvidos em escândalos de corrupção.

Mas 2016 não ficou marcado apenas pelo excesso de votos anulados. Eis que, naquele ano, duas novas correntes – que já vinham ganhando adeptos e apreço social – mostraram sua força.

A primeira é o caminho da fé. A eleição de Marcelo Crivella como prefeito do Rio de Janeiro reascendeu o debate sobre o envolvimento de grupos religiosos dentro do campo da política. Sem querer analisar prós e contras aqui, deve-se ter em mente que a vitória de Crivella nas eleições do Rio de Janeiro demonstram que boa parte da população – descontente com os atuais modelos – espera encontrar nele o modelo ideal de governante: alguém que preza os valores cristãos – e consequentemente os valores da família tradicional brasileira -, alguém impassível de corrupção, que leve a nação a prosperidade e seja um modelo ético e moral a ser seguido.

Por outro lado, em São Paulo, vemos  a vitória de João Doria Jr. Um candidato que defende que o estado deve ser dirigido como se fosse uma grande empresa, ou seja, apresenta um mandato que trás na gestão empresarial seu grande diferencial. Discurso este que, em primeiro momento pode até parecer pobre ou vazio. Mas, unido ao crescente descontentamento da população com os serviços públicos, tende a ganhar forças.

E eis que chegamos até 2018. Um ano que deveremos ter eleições presidenciais. E eleições onde, certamente, deveremos ter – mais do que partidos – novas propostas de governo em jogo. Por um lado, deveremos ter representantes do velho sistema: esquerda e direita lançarão seus candidatos (como de hábito). Lula, ao que tudo indica, deverá retornar ao cenário (e com ele a política apelidada de “lulismo”). E por outro provavelmente teremos Doria, candidato do PSDB. E, fechando a trindade, o segmento religioso deverá investir em um candidato forte – provavelmente Jair Bolsonaro. Claro que ainda haverão outros nomes, com outras propostas. E todas elas serão extremamente interessantes. Cogita-se a volta de Fernando Henrique Cardoso ao cenário político, bem como alguns velhos e novos conhecidos poderão dar suas caras.

Porém, o que de mais interessante 2018 terá – se houver eleições – é o fato de novas propostas, novos modelos se lançarem. Se são bons ou não, o tempo dirá – como sempre. Porém, será um ano decisivo para a política brasileira. E será uma eleição, no mínimo, interessante.

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Ricardo Luis Reiter

Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Áreas de interesse: filosofia social, política, ética, escola de Frankfurt, filosofia da religião.

  • Luís Hinrichsen

    Sim, o cenário eleitoral para 2018 ainda é nebuloso. Contudo, realmente, a repetição de ‘antigas fórmulas’ e a – também possível – ‘guinada à direita’ via crença em ‘personagens salvadores’ turba a inteligência política mediamente cultivada e crítica. O cenário, claro, mudará muito. Mas, esperamos que a sociedade civil, cada um de nós, possamos debater – efetivamente – os problemas [educação, saúde, segurança, controle dos desvios ilegais do erário público, entre outros] e caminhos viáveis para pensá-los e – gradativamente – efetuar passos na direção da oxigenação dos discursos e práticas políticas [concretas]. Acreditemos e trabalhemos, cada um conforme suas possibilidades, por um cenário político melhor que o atual, seja para 2018 ou para os anos que virão. Precisamos legar ‘um mundo melhor’, um ‘Brasil’ ‘mais justo’ para os que estão chegando e até ´para os que virão’. Parabéns pela análise! Oportuna e faz pensar!!!

    • Ricardo Luis Reiter

      Grato pelo comentário mestre. Seria perfeito se todos lessem Arendt e Jonas. Utópico se compreendessem… Mas somos um país com memória curta. Elegemos os mesmos corruptos dos quais reclamamos ano após ano…

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