A dúvida como fonte de conhecimento

Somos convidados a encontrar na arte da pergunta a dimensão há muito exclamada por mestres cuja obra segue a ser escrita…

Historicamente, o questionamento acerca da própria realidade tem circundado a humanidade de modo a provocar rupturas em estruturas já consolidadas e, consequentemente, fazer com que os atores envolvidos deixem a zona de conforto rumo ao desconhecido. Neste sentido, é visível que as incertezas pautadas na busca pela verdade absoluta tem permeado comportamentos humanos desde seus primórdios, onde a imposição dogmática costumava atuar como regente da grande orquestra hoje denominada sociedade. Assim, percebe-se que a história é, por si só, responsável pelo estabelecimento do elo entre o papel da dúvida no passado e presente – relação cuja temporalidade ainda não culmina na flexibilização da perspectiva coletiva quanto à natureza da dúvida e sua importância como geradora de conhecimentos diversos.

…pelas mãos dos que, ao vislumbrarem na transversal do tempo a conexão entre pretérito e atualidade, sonham em desmembrar parâmetros tidos como indubitáveis…

É possível, sob as atuais circunstâncias, discernir os efeitos dos métodos empregados por Sócrates dos voláteis  questionamentos que hoje emergem à luz da tecnologia? A resposta torna-se clara à medida que o impacto do método socrático é equiparado ao atual uso da dúvida – ressignificado pela ampliação dos horizontes comunicativos, fato expresso da Internet. Assim sendo, verifica-se que a influência do questionar no século XXI se assemelha às noções que outrora, na contramão de visões socialmente encrustadas, trouxeram à tona pontos de vista transformadores. A resistência aos frutos da incerteza, no entanto, seguem a ter o medo como aliado primário,  o que, indiretamente, solidifica o paradoxo que opõe ignorância e saber – o qual, em muitos casos, encontra na distorção do passado uma justificativa para a manutenção de preceitos infundados.

…e enxergam na relativização da verdade o mais curto atalho para substituir o valor anacrônico pelo incomparável valor do justo.

Depreende-se, a partir da análise da dúvida como protagonista de toda e qualquer mudança, que a aplicabilidade de seus efeitos nos dias atuais merece aproveitamento por parte dos sujeitos para que, na coletividade, exerçam o dever de solidificar o processo democrático, compartilhando perspectivas inovadoras e, consequentemente, vivificando parcelas da população cuja representatividade depende, em suma, da maleabilidade social dela advinda.

Façamos de nossas incertezas o  instrumento de nossa transformação.

Imprimir

Compartilhe:

Foto de perfil de Renan Schwingel

Renan Schwingel

Nascido em 2001, atualmente cursa o Ensino Médio no SENAI Concórdia. Tem expressado seu interesse pelo aprimoramento da causa educacional ao atuar como Jovem Embaixador pela FIESC desde 2015, sempre acreditando no poder da liderança e da reflexão.

Pular para a barra de ferramentas