A descoberta da ignorância

O Estado brasileiro passa por diversas dificuldades atualmente. Seja na questão moral, política, trabalhista, etc. Nosso governo quer implementar diversos projetos que possuem muitos apoiadores e também diversos opositores. Quando isso acontece, há uma extrema dificuldade para chegar ao consenso e conseguir conciliar a opinião da grande maioria.
Quando vejo alguém criticar ou elogiar esses projetos, percebo que exige reflexão, competência intelectiva, ponderação abstrata e conhecimento de causa para que se consiga compreender as tomadas de decisão provindas do Estado vigente.
Dessa maneira, como posso protestar ou apoiar decisões de meus governantes se não possuo conhecimento necessário para questioná-los? Para se ter uma noção, a própria ciência já pesquisou a respeito das “certezas” de pessoas ignorantes.
Justin Kruger, psicólogo social americano e professor da Universidade de Nova Iorque Stern Of School of Business e seu amigo David Dunning, terapeuta e professor de psicologia da Universidade de Michigan lançaram um estudo no Journal of Personality and Social Psychology em dezembro de 1999 falando sobre o denominado Efeito Dunning-Kruger (fenômeno pelo qual indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados, fazendo com que tomem decisões erradas e cheguem a resultados indevidos, porém esta própria incompetência os restringe a habilidade de reconhecer os próprios erros. Estas pessoas sofrem de superioridade ilusória). E o mais interessante é que “as habilidades necessárias para fornecer uma resposta correta são exatamente as habilidades que você precisa ter para ser capaz de reconhecer o que é uma resposta correta. No raciocínio lógico, […] na administração, na resolução de problemas, as habilidades que você usa para obter a resposta correta são exatamente as mesmas habilidades que você usa para avaliar a resposta”.
Ou seja, se você contesta algo e joga palavras ao relento sem ter em mãos nenhum conhecimento de causa, você também será incapaz de reconhecer que errou na hora de opinar porque aquele entendimento do assunto é necessário para reconhecer esse deslize argumentativo.
Resumindo o estudo em poucas palavras, a ignorância causa (além de arrogância) a falta de clareza intelectiva para perceber os nossos erros de argumentação. Uma pessoa ignorante nunca saberá que errou até se esclarecer. Por essas e outras, é necessário repertório.
Uma vez que na hora de emitir comentários sobre um assunto específico tenhamos a humildade e a instrução como premissas básicas para uma boa base argumentativa, os erros serão eliminados de qualquer diálogo (ainda mais na questão política).
Por isso eu questiono com a seguinte indagação: será que aqueles que levantam bandeiras (seja a posição que for) possuem uma boa fundamentação teórica sobre esse posicionamento? Ou estarei sendo equivocado ao pensar nisso?
É por essas e outras que devíamos colocar como fundamento (antes de opinar) a máxima proferida por Aristóteles: “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”.
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Giovanni Novelli

Acadêmico de Filosofia pela Universidade Federal do Paraná. Preocupado com as questões éticas, políticas, econômicas e sociais da atualidade.

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