A crise educacional pós-moderna

É interessante começar com uma indicação de um filme, “O substituto”. No qual o professor tem como função sempre substituir os professores. Há alunos inteiramente desinteressados, que não encontram sentido algum em estudar. O professor em determinada parte do filme, declara-se como aquele que teria a necessidade de salvar os alunos, mas se percebe como um náufrago.

Na Pós- Modernidade os professores estão naufragando junto com a educação. Literalmente, salvem-se quem puder!

A escola tem na sua raiz uma perspectiva Kantiana de retirar o ser humano do seu estado de menoridade existencial para uma maioridade existencial.

Podemos visualizar a educação atual influenciada pela crise no âmbito familiar, que repercute na sala de aula. Quer dizer, a família contemporânea não possui mais legitimidade e suas bases afetivas se encontram numa incrível liquidez e consequência é que a família se vê na necessidade de transpor toda responsabilidade da formação para os professores bem como a necessidade de civilizar os alunos. Os professores se veem sobrecarregados e os alunos fazem da escola o pátio da sua casa. Ocorre, então, uma confusão entre esfera pública e esfera privada.

Numa sociedade Narcísica, o professor não tem que lecionar, mas dar show, ocorrendo uma espécie de espetacularização das relações sociais. Os estímulos têm de ser cada vez mais impactantes, pois, todos caminham na estrada da tecnologia que sempre mais evolui e surpreende, e muitas vezes substitui a força da reflexão e toda necessidade de contemplação do pensamento passa a ser visto como enfadonho.

É como se os professores estivessem competindo com os aparelhos eletrônicos para terem a necessária atenção dos alunos. O professor tem que se virar! Ele não passa de um mero animador para o público.

Por fim, podemos dizer que o ensino agora está pautado pela lógica capitalista: o professor está diante de clientes. Os alunos estão mais preocupados em competir no mercado de trabalho do que encontrarem um trabalho que os realizem como seres humanos e os favoreça num progresso intelectual.

O que temos, então, na escola Pós-Moderna? Uma infantilidade, uma permissividade, afinal, o cliente tem sempre a razão.

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Matêus Ramos Cardoso

Natural de Sombrio, Santa Catarina, 34 anos. Filósofo. Escritor. Palestrante. Especialista em Ética e Ciências da Religião. Pós-Graduando em Sociologia e Antropologia. Ênfase em Teologia da vida espiritual. Ênfase em Filosofia, nas áreas de Filosofia da Educação; Ética; Antropologia Filosófica; Filosofia da Ciência; Tópicos de Filosofia Contemporânea; Filosofia da Religião; Técnicas de Redação; Existencialismo, Pragmatismo. Ênfase Sociologia Clássica e Teoria Sociológica Contemporânea, Racionalização, Modernidade, Pós-modernidade, Contingência e Técnica. Ênfase em temas como: O papel do Professor; Compreensão e crítica do estilo de vida pós-moderno. A reflexão dos problemas de saúde mental sob a ótica da Filosofia e Sociologia. Reflexão sobre a morte. Os riscos da modernidade. Educação Contemporânea. A cultura do narcisismo. Sociedade do Consumo. A religião e o ateísmo. O trabalho na pós-modernidade. Possui 24 artigos publicados, 6 artigos escritos no ano de 2016 e em 2017 escreveu 2 livros, totalizando 4 livros escritos, mas não publicados.

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