Pecado Channel: a moda que se veste

“Pecado virou moda, entre vitrines meus olhos andam ruas e esquinas, se encontram os conjuntinhos do pecado, vestindo do 34 ao 42, manequim não importa PP, G, extra G. Gosto aflora, mobilizando a alma a usar e abusar.

O comportamento humano se desviou, alguns ousam a ser grotesco, não há limites entre razão e o prazer absoluto das carnes, tudo é permitido no mundo em que tudo é modismo. Tudo é “copioso” e moldado para as vitrines do olhar humano, a percepção do certo se tornou despercebido.

Se submeter aos pecados, seja ele qual for, ira, inveja, cobiça etc. Isso nos tempos de hoje é ilustrativo de normalidade, nada é exagero, nada é pronunciado como anormal, tudo é um plano de consumo de grande parte, em que se faz do pecado um prato a ser servido com uma bela taça de vinho.

A moda pecadora se reinventa de tempos em tempos. Não existe o ato falho dessa incorporação sair de linha, há panos e mais panos para cobrir esse malefício desses últimos tempos, melhor dizendo, não existem panos para cobri-lhe, é despida e atrevida quem o faz manifestar.

Incorpora-se na sociedade feito verme, neutraliza os mais fracos e os fazem seguir a mesma linha. Podemos ser o pior dos bordados, mesmo assim, a carne humana social de grande parte se deixa influenciar pelo intrépido pecaminoso da seda virtuosa.

Existe uma limitação humana, se despir do Channel e vestir a pura sanidade é praticamente uma raridade. O pecado virou moda, mas uma moda longa que nunca se deixa decair, só evolui ao passar dos tempos, evolui no modo pecaminoso de se pensar e agir, não há limites entre o errar capacitado da razão e o errar proposital.

Dentro de uma sociedade manipulada facilmente pela maioria, o pecaminoso é tido como o modismo que serve na sua silhueta “pobril”. O pecado tornou-se uma fragrância esfregada diariamente nos corpos fracos, é tido para muitos como uma alfazema, para outros um Dolce e Gabbana. Para muitos é luxo que deve ser usado e cometido como um  pequeno crime inocente.

Sabemos que não somos perfeitos, erros existem, somos falhos, porém muitos fazem do pecado uma veste que faz ocupar cada gaveta e todas as prateleiras do seu closet.

Basta você não ousar calçá-los – porque sinceramente o pecado aperta-lhe os dedos, porém mais certamente a consciência”.

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Myra Soarys

Intensa. Provocadora e sabe o quer. Adora Literatura de cordel e música boa. É pintora e desenhista. De personalidade forte. Um pouco impaciente. Expõe seus pensamentos. Os mais sadios e os mais doentios.

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